Dono de pizzaria que pediu para clientes de esquerda não frequentarem local é PM; MP de Contas pede afastamento
Intolerância política gera restrições a clientes e artistas O dono de uma pizzaria que pediu para pessoas de esquerda não frequentarem o estabelecimento, n...
Intolerância política gera restrições a clientes e artistas O dono de uma pizzaria que pediu para pessoas de esquerda não frequentarem o estabelecimento, no bairro de Jardim Oceania, em João Pessoa, é um policial militar lotado no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB), identificado como João Paulo Ramos Almeida. Nesta quinta-feira (29), o Ministério Público de Contas (MPC) pediu o afastamento dele do cargo junto ao tribunal e, minutos depois, o TCE-PB negou o pedido liminarmente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp O MPC de Contas havia pedido que o sargento retornasse para a Polícia Militar enquanto o caso da publicação é investigado. Também havia pedido que o Comando-Geral da Polícia Militar abrisse um procedimento para apurar a conduta do servidor. A negativa do TCE-PB partiu do conselheiro Deusdete Queiroga. O documento para negar o afastamento do PM do tribunal foi assinado na tarde desta quinta-feira (29). Como argumentos, o conselheiro afirmou que: Faltam provas suficientes para esclarecer os fatos: as informações se baseavam em publicações nas redes sociais, ainda pendentes de apuração; Era necessário esclarecer a participação do militar: ainda precisava ser apurado se ele atuava diretamente no estabelecimento, se o administrava efetivamente ou se tinha conhecimento dos fatos; Era preciso garantir o direito de defesa: o conselheiro entendeu que afastá-lo imediatamente, sem antes lhe dar oportunidade de se manifestar, poderia violar o contraditório e a ampla defesa. O g1 entrou em contato com o dono da pizzaria e também com a Polícia Militar. A corporação informou que já havia sido formalmente informada pelo TCE-PB para apurar a conduta dele e que isso está sendo feito. O dono da pizzaria não respondeu até a última atualização desta reportagem. Os procuradores que assinaram o procedimento pedindo o afastamento, Manoel Antônio dos Santos Neto e Marcílio Toscano Franca Filho argumentam que é necessário esclarecer a participação do militar na publicação e verificar se houve recusa efetiva de atendimento a consumidores. O Ministério Público de Contas também solicitou saber, junto à Polícia Militar, que investigue se João Paulo exerce funções de administração ou gerência na empresa, para além da participação societária. Conforme o procedimento, a legislação que rege os policiais militares estabelece restrições à atuação de integrantes da ativa na administração ou gerência de sociedades empresariais, ressalvadas as hipóteses previstas em lei. Ainda na decisão do conselheiro Deusdete Queiroga, o processo vai ser encaminhado à Consultoria Jurídica do TCE-PB para emissão de parecer. LEIA TAMBÉM Pizzaria pede que clientes de esquerda não frequentem o local; veja o que diz a lei sobre recusar atendimento Pizzaria de João Pessoa pede que clientes de esquerda não frequentem local Foto: Reprodução/Redes Sociais Ministério Público da Paraíba investiga o caso Após a publicação, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) disse que o procedimento vai apurar possível prática de discriminação de público por convicção política atribuída a estabelecimento. Os promotores responsáveis pelo caso, Fabiana Lobo, da área de Defesa da Cidadania, e Adrio Nobre Leite, da área de Defesa do Consumidor, informaram que a Constituição Federal assegura a liberdade de convicção política como direito fundamental. O MP disse ainda que vai notificar o estabelecimento para que apresente esclarecimentos no prazo de 10 dias úteis. Além da postagem pedindo para que eleitores de esquerda não frequentem o local, a pizzaria também fez outra publicação dizendo que o Ministério Público havia notificado para a retirada da postagem. O órgão negou essa situação. O órgão determinou o encaminhamento de cópias do procedimento ao Procon Estadual da Paraíba, para ciência e adoção das medidas consideradas cabíveis. Além disso, cópias dos autos serão encaminhadas à Delegacia-Geral da Polícia Civil da Paraíba, para apuração de possível prática penalmente típica relacionada à publicação. O caso Em imagem publicada no Instagram, a pizzaria solicitou que esquerdistas e “eleitores de larápios” não comprem no local. No texto, o estabelecimento afirma que não pode impedir que essas pessoas frequentem o espaço, mas ressalta que não faz questão de receber clientes alinhados politicamente à esquerda. Horas depois, a imagem foi apagada e a pizzaria fez uma segunda publicação informando que foi notificada pelo Ministério Público para retirada do conteúdo. No texto, o estabelecimento afirmou que respeitará determinação, mas defenderá o que acredita. Durante o mês de outubro, a pizzaria também publicou ofertas de rodízio para os dias 4 e 25, datas do primeiro e do segundo turno das Eleições 2026, respectivamente. O preço divulgado nas imagens foi de R$ 22, valor que coincide com o número do candidato Flávio Bolsonaro. No domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%) sobre Flávio Bolsonaro (PL), que teve 59.826.041 (48,21%) no 2º turno. Em João Pessoa, Lula foi o candidato mais votado, com 266.096 votos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 228.231 votos. Os dados foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba