MPF entra na Justiça para demarcação de território quilombola na Praia da Penha, em João Pessoa

Praia da Penha, João Pessoa Gabriel Costa/G1 O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB) entrou com uma ação civil pública no âmbito da Justiça Fe...

MPF entra na Justiça para demarcação de território quilombola na Praia da Penha, em João Pessoa
MPF entra na Justiça para demarcação de território quilombola na Praia da Penha, em João Pessoa (Foto: Reprodução)

Praia da Penha, João Pessoa Gabriel Costa/G1 O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB) entrou com uma ação civil pública no âmbito da Justiça Federal no estado para demarcar o território quilombola localizado na Praia da Penha, em João Pessoa. A ação foi divulgada nesta segunda-feira (24). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp De acordo com o MPF, a ação propõe um programa estrutural para proteger território, maretório (território de terra e mar), meio ambiente e patrimônio sagrado relacionados ao povo quilombola naquela região. O programa do MPF envolve União, município de João Pessoa, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e empresas cujas atividades afetam áreas do território tradicional. Entre as medidas concretas solicitadas na ação, além da demarcação do território quilombola, a identificação das terras da União, a regularização do uso tradicional de praias, rios e manguezais, a proteção dos acessos utilizados pelos moradores e a identificação de possíveis sobreposições de registros imobiliários. Agora no g1 Há previsto um cronograma de execução, definição das responsabilidades dos órgãos envolvidos, apresentação periódica de resultados e acompanhamento judicial da execução das medidas. O processo cita ainda que em janeiro de 2026 os moradores da área formalizaram coletivamente sua autodeclaração como comunidade quilombola, que posteriormente certificada pela Fundação Cultural Palmares. O MPF aponta que a história da Penha tem uma presença da comunidade negra estabelecida no território há pelo menos sete gerações. Pesca artesanal, mariscagem, relações familiares, religiosidade e conhecimentos transmitidos entre gerações formam uma relação com o lugar que ultrapassa as casas onde os moradores vivem. Avanço imobiliário No documento da ação do MPF, é citado que há um avanço imobiliário na área, que fazm com que as novas gerações da comunidade encontrem dificuldades para construir suas casas e permanecer no território onde viveram seus pais, avós e antepassados. O órgão aponta que de um lado, estão pescadores e famílias de baixa renda que ocupam e utilizam tradicionalmente a Praia da Penha há gerações e de outro, o avanço de empreendimentos imobiliários de alto padrão, do "turismo predatório" e, em parte do território, de investimentos associados ao capital estrangeiro. Na ação, o MPF trata como um dos principais problemas na área a especulação imobiliária que, segundo o órgão, exerce uma "pressão" sobre o território, atingindo lugares de valor religioso e cultural. O órgão aponta para espaços associados à religiosidade e à memória coletiva, entre eles o Santuário de Nossa Senhora da Penha, o Cruzeiro e caminhos e áreas ligados às manifestações religiosas da comunidade. Para o MPF, intervenções que restrinjam o acesso, alterem esses espaços ou comprometam as celebrações tradicionais atingem não apenas áreas físicas, mas uma memória religiosa e cultural construída ao longo de séculos. Rio Cabelo A ação aponta um processo contínuo de degradação do Rio Cabelo, que fica na região que pode ser demarcada, identificado em laudos e vistorias técnicas. Entre os problemas estão o lançamento de efluentes e ligações clandestinas de esgoto, descarte de resíduos sólidos, perda da vegetação ciliar, assoreamento, estreitamento do leito e aterramento de margens e áreas de manguezal. Diante disso, a ação pede que a União e o município de João Pessoa elaborem, em até 90 dias, um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) para todo o Rio Cabelo, da nascente à foz, com participação ativa da comunidade quilombola. O que dizem os alvos da ação O g1 entrou em contato com a Advocacia-Geral da União (AGU), o município de João Pessoa, por meio do procurador-geral, a Sudema e também o Incra. A Sudema informou que vai cumprir as determinações do Ministério Público. Os outros citados não responderam até a última atualização desta reportagem. O Incra, por sua vez, informou por meio de nota da antropóloga Fernanda Lucchesi, chefe da Divisão de Territórios Quilombolas, que "atualmente, o processo encontra-se em andamento, com a adoção das providências necessárias para o início dos estudos de identificação e delimitação do território". Os outros citados não responderam até a última atualização desta reportagem. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba